Aqueduto das Águas Livres

Aqueduto das Águas Livres

O Aqueduto das Águas Livres, teve como função a distribuição de água a Lisboa, e recebeu ordem de construção pelo rei D. João V em 1728, tendo sido alcançado o objetivo de chegar água a Lisboa em 1748, com o seu funcionamento através de um sistema de captação e transporte de água por via gravítica.

Nas décadas seguintes, isto é, entre 1755 e 1835 foi aumentado o sistema de abastecimento de água, com a construção de outros aquedutos, pontos de captação, chafarizes e fontes. Através destas edificações foi possível levar a água a diversos locais da cidade de Lisboa e aos concelhos de Amadora, Odivelas, Sintra e Oeiras, obtendo o complexo percurso que ainda se verifica atualmente.

Aqueduto das Águas Livres
Jen Hunter, Wikimedia Commons

A água que circulava no aqueduto era proveniente das nascentes de água das Águas Livres, na zona de Belas e integradas na bacia hidrográfica da serra de Sintra, com o percurso do aqueduto a ser em grande parte semelhante ao do antigo aqueduto romano. As águas percorriam o percurso desde Belas até Lisboa, com a sua receção no Reservatório da Mãe de Água das Amoreiras e posteriormente distribuídas através de diversos troços e chafarizes. A sua construção foi possível através do imposto Real de Água que incidia sobre bens essenciais.

Aquando do terramoto de 1755 o Aqueduto das Águas Livres conseguiu resistir a este acontecimento com poucos danos sofridos, em que grande parte da sua extensão já se encontrava construída e apenas três torrões de ventilação apresentaram danificações.

Lisboa e aqueduto visto do Miradouro do Panorâmico de Monsanto
Rui Ornelas, Wikimedia Commons

Esta magnífica construção apresenta uma extensão total de 58km, compreendida pelo aqueduto principal, aquedutos subsidiários e rede de distribuição, com o troço principal entre a Mãe de Água Velha em Belas até ao Reservatório da Mãe de Água das Amoreiras a registar 14km de extensão. Os troços secundários do aqueduto principal transportavam a água a aproximadamente 60 nascentes e a cinco galerias que abasteciam cerca de 30 chafarizes em Lisboa.

O troço do aqueduto sobre o vale de Alcântara é de forma unânime considerada relevante para a arquitetura e engenharia do século XVIII, com uma extensão de 941 metros e 35 arcos em pedra, sendo neste troço registado o maior arco em ogiva em pedra do mundo, que apresenta 65,29 metros de altura e 28,86 metros de largura.

Aqueduto das Águas Livres
Bernt Rostad, Wikimedia Commons

O funcionamento do aqueduto aconteceu até 1967, data em que terminou a exploração de água, pelo que em 1973 é desativado e seco, sendo confirmado no ano seguinte que a falta de qualidade da água já não garantia as condições necessárias para o consumo público. Ao longo do seu percurso são existentes diversos pontos importantes, tais como o Reservatório da Mãe de Água das Amoreiras, o Reservatório da Patriarcal, a Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, a Galeria do Campo Santana, a Galeria da Esperança, a Galeria do Loreto, a Galeria das Necessidades e a Galeria do Rato.

Informação Geral

Morada: Calçada da Quintinha 6, 1070-225 Lisboa

Horário: Terça-feira a Domingo: 10h00 às 17h30

Email: mda.epal@adp.pt

Telefone: (+351) 218 100 215

Website: Museu da Água

Transporte: Autocarro 702 (Carris)

Mapa

Cronologia

→ Século XVI: Necessidade de garantir o abastecimento de água a Lisboa
→ 1728: Proposta de construção de um aqueduto para abastecer água a Lisboa
→ 1731-05-12: Ordem para início da obra do Aqueduto das Águas Livres
→ 1732-06-07: Ordem para conclusão da planta da obra de condução das Águas Livres
→ 1736-09-19: Concluído o troço do aqueduto desde a Fonte das Águas Livres até ao monte junto da Senha de Amaro Álvares, e realização de obras na Mãe de Água Velha, no Aqueduto do Bretão, no Aqueduto do Castanheiro, no Aqueduto da Fonte de São Brás, no Aqueduto do Juncal, no Aqueduto da Porcalhota, nos Aquedutos do Salgueiro Grande e do Salgueiro Pequeno e no Aqueduto de Vale da Moura
→ 1738-07-18: Conclusão do aqueduto principal desde as Águas Livres até à Quinta de João Frederico
→ 1740: Conclusão do aqueduto até ao sexto pegão
→ 1741: Conclusão do aqueduto até ao pegão na rocha do rio de Alcântara
→ 1744-05: Conclusão do Arco Grande sobre a ribeira de Alcântara
→ 1744-10-30: Corre água pela primeira vez num tanque improvisado nas Amoreiras;
→ 1748: Água chega a Lisboa e são construídos outros aquedutos, redes de distribuição e 24 chafarizes em Lisboa
→ 1751-09: Mãe de Água das Amoreiras obtém água até à altura imposta
→ 1755 – 1835: Construção de outros aquedutos e chafarizes
→ 1880-10-03: Inauguração da Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos
→ 1905: Perceção de que o sistema de abastecimento de água existente seria insuficiente
→ 1909: Apresentação do “Projecto de Melhoramento e Ampliação do Abastecimento de Lisboa com Água Potável”, sendo proposta a execução das obras aqui indicadas em 1909
→ 1920: Desativada a Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos
→ 1928: Encerramento da Estação Elevatório a Vapor dos Barbadinhos e Inauguração da nova Estação Elétrica
→ 1967: Termina a exploração de água do aqueduto e é encerrado o Aqueduto das Águas Livres e o Reservatório da Mãe de Água
→ 1973: Aqueduto é desativado e seco
→ 1974: Indicação que as águas do aqueduto já não serviam para consumo público devido à falta de qualidade

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