Forte de São Lourenço – Bugio

Forte de São Lourenço – Bugio

O Forte de São Lourenço do Bugio, ou simplesmente Forte do Bugio, é uma importante estrutura que fazia parte do sistema defensivo marítimo de Lisboa. A sua posição entre as duas margens do rio Tejo permitia o cruzamento de fogo com o Forte de São Julião da Barra, contribuindo para a dissuasão de ataques provenientes do mar.

A defesa da cidade de Lisboa

Durante o século XVI existia a necessidade de melhorar a defesa da cidade de Lisboa, uma vez que existia uma permanente ameaça de piratas vindos do mar. Construiu-se portanto várias estruturas ao longo da barra do Tejo, nomeadamente a Torre de S. Vicente e o Forte de São Julião da Barra. No entanto, uma melhoria na defesa foi proposta por Francisco de Holanda através da construção de uma estrutura defensiva no banco de areia localizado entre as duas margens do rio, a Cabeça Seca. Consta que este banco de areia era bastante extenso, mas ao longo dos anos tem vindo a regredir devido à força das marés.

Fotografia aérea do Forte de São Lourenço - Bugio
Joao Miguel Otao da Silva Pereira, Wikimedia Commons

O forte de madeira e as dificuldades na construção

Nos finais do século XVI, mais precisamente entre maio e junho de 1580, Filipe Tercio construiu uma fortificação de madeira. As obras do forte como hoje é conhecido foram iniciadas mais tarde por Vicencio Casale. Procedeu aos inevitáveis testes relacionados com os alicerces da estrutura, uma vez que a força exercida pelas marés é muito elevada nesta área. Para além disso, a morfologia arenosa existente nesta área não proporcionava estabilidade suficiente para acolher uma estrutura de grande envergadura. O limite de dois anos estimado para a conclusão do forte foi ultrapassado, e à data da morte de Vicencio Casale em 1593, apenas os alicerces da estrutura se encontravam concluídos.

O atraso na construção do forte projetado por Filipe Tercio levou à construção de um forte provisório em madeira, uma estrutura que se revelou insuficiente para a defesa desta zona tão perigosa, retomando-se, então, o projeto original do Forte da Cabeça Seca.

Nos anos que se seguiram, a obra evoluiu a um ritmo muito lento, não só pela sazonalidade associada (movimentos da maré), mas também pela falta de recursos para a financiar a obra. Apenas nos anos que se seguiram à restauração da independência é que o forte conhece novos avanços na sua construção, com obras impulsionadas por D. João IV, dando-se a conclusão da sua construção na passagem no final de 1657.

Panorama do Forte de São Lourenço - Bugio
Daniel Feliciano, Wikimedia Commons

Destruição e reconstrução

O terramoto de 1755 trouxe inevitavelmente danos à fortificação, tendo sido registadas fissuras que poderiam compromenter a sua estrutura. Para além disso, a força exercida pelo mar ia agravando o estado destas fissuras. Em 1789, foram realizadas obras na base da estrutura de forma a corrigir o impacto negativo das fissuras. A estrutura do farol também se encontrava danificada após o impacto do terramoto. Apesar de não ter sido prioritária, a necessidade de existência de um farol para guiar os navegantes levou a sua reconstrução em finais do século XVIII.

Perda de estatuto e utilização como farol

À medida que os anos passaram e dadas as circunstâncias políticas, o forte foi perdendo as suas funções de defesa da cidade de Lisboa, e foi ganhando mais importância faroleira para os navegantes, passando a ser conhecido como Farol do Bugio. Por volta de 1911, é-lhe retirado o estatuto de fortificação, passando a ser ocupado apenas por faroleiros. A ocupação dos faroleiros durou até ao início da década de 80 do século XX, quando se deu a automatização do farol.

Informação Geral

Morada: Areal da Cabeça Seca, Oeiras

Email: geral@cm-oeiras.pt

Telefone: (+351) 214 461 660

Website: Câmara Municipal de Oeiras

Transporte: Acesso por barco

Mapa

Cronologia

→ 1580: Construção de um forte de madeira na Cabeça Seca
→ 1593: Conclusão dos alicerces do forte
→ 1594: Construção de um forte de madeira temporário
→ 1657: Data de conclusão da construção do forte
→ 1755: Terramoto
→ 1789: Obras de reparação na base do forte
→ Finais do século XVIII: Reconstrução da torre do farol
→ 1911: Perda de estatuto de fortificação
→ Década de 80: Automatização do sistema do farol

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