Grutas da Quinta do Anjo

Grutas da Quinta do Anjo

As Grutas da Quinta do Anjo, também designadas por Grutas do Casal do Pardo, estão localizadas na freguesia de Quinta do Anjo, do concelho de Palmela, e remontam ao Neolítico Final de há cerca de 4500 anos, com a sua utilização a acontecer até aos anos 2000 a.C.. São constituídas por quatro grutas artificiais, que são caracterizadas como monumentos funerários de características únicas, com a sua utilização durante a Idade do Cobre como espaço sepulcral.

As escavações

Este monumento funerário foi descoberto e escavado em 1876, por António Mendes com a orientação de Carlos Ribeiro, no entanto é possível que anteriormente tenham existido alguns trabalhos. A sua identificação ocorreu durante a extração de calcário no local, o que destruiu parcialmente a necrópole, com maior impacto nas grutas 3 e 4.

Características

A necrópole é constituída por quatro hipogeus/grutas escavados no calcário da Arrábida, em que são formados compartimentos de tendência circular, acessíveis através de um corredor e uma antecâmara. Estas grutas apresentam o topo aplanado, câmara subcircular dotada de abóbada com claraboia superior central, antecâmara de planta ovalada e corredor estreito com sentido descendente para a entrada da câmara.

Este espaço ao longo dos seus anos de utilização serviu como local de enterro e de rituais funerários, para uma população que habitava as povoações próximas à sua volta, de pastores e agricultores. Estes sepulcros são semelhantes a práticas funerárias do Megalitismo no Centro e Sul de Portugal, e inserem-se numa tradição arquitetónica mediterrânica.

Após as suas escavações iniciais de 1876, são retomadas as escavações em 1906 por António Marques da Costa e desde essa data foram realizados diversos estudos por parte de investigadores nacionais e estrangeiros.

Painel de azulejo com informação sobre as Grutas da Quinta do Anjo/Sepulcros do Neolítico
CorreiaPM, Wikimedia Commons

Importância arqueológica

Dado espólio de elevado interesse arqueológico e a originalidade da cerâmica encontrada nas Grutas da Quinta do Anjo, a jazida é conhecida internacionalmente. As populações da região desenvolveram a técnica de cerâmica campaniforme, decorada nas técnicas do pontilhado e/ou linear, as quais ficaram conhecidas nos meios científicos como as Taças Tipo Palmela, tendo em conta a originalidade morfológica e decorativa e por nesta região se terem recolhido os primeiros exemplares.

Deste modo, para além dos vestígios ósseos, também neste espaço foram recolhidos diversos objetos, tais como machados e enxós de pedra polida, placas de xisto decoradas, setas em sílex e cobre, recipientes cerâmicos e artefactos em calcário e osso.

É possível visitar este importante espólio, obtido nas escavações efetuadas de 1876 a 1907, no Museu Geológico e no Museu Nacional de Arqueologia.

Informação Geral

Morada: Rua Manuel João Lima Simoes, Quinta do Anjo

Horário: 24h

Email: geral@jf-quintadoanjo.pt

Telefone: (+351) 212 880 232

Website: Freguesia da Quinta do Anjo

Transporte: Autocarros 767, 768 (TST – Transportes Sul do Tejo)

Mapa

Cronologia

→ 4000 a 2000 a.C.: Período de ocupação das grutas
→ 1876: Identificação e escavação das grutas, por António Mendes e Agostinho da Silva, sob orientação de Carlos Ribeiro
→ 1906: Escavações de Marques da Costa
→ 1934: Classificação como Monumento Nacional
→ 2007: Proposta em 13 de Julho de fixação de Zona Especial de Proteção, que obtém parecer favorável do IGESPAR em 12 de Dezembro
→ 2011-09-22: Anúncio do projeto de decisão de fixar uma Zona Especial de Proteção e Zona “non aedificandi”

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