Praça do Comércio

Praça do Comércio

A Praça do Comércio é um espaço que substituiu o Terreiro do Paço, sendo que este último iniciou a sua construção no século XIV e assumiu a sua importância desde o século XV para a expansão ultramarina, no entanto ocorreu a sua destruição no terramoto de 1755. A construção da Praça do Comércio foi iniciada após este trágico acontecimento, a qual em 1842 estava concluída à exceção do Arco da Rua Augusta, que ficou completamente concluído em 1875. Ao longo destes anos, nos edifícios situados na Praça do Comércio, tem se encontrado em funcionamento diversos órgãos do Estado Português.

Praça do Comércio
Nan Palmero, Wikimedia Commons

Até 1755, era existente no Terreiro do Paço o Paço Real, a Alfândega, a Casa da Índia, a Casa da Moeda, o Arsenal e o Teatro da Ópera do Tejo, que tinha elevada importância dado ser o centro da vida dos lisboetas e o principal local de saída para o mar. Logo de imediato foram iniciados trabalhos para ultrapassar os problemas que foram criados com a ocorrência do terramoto e em 1756 era criada a Casa do Risco das Obras Públicas constituída por uma equipa de engenheiros que tinha um importante papel para a reconstrução. Neste ano de 1756, também tendo em vista a reconstrução da Alfândega e da Bolsa, os comerciantes de Lisboa entregam uma contribuição de 4% sobre as mercadorias importadas.

Foi a 12 de Maio de 1758 que começou a ser notório o arranque da reconstrução da cidade, apesar de no ano anterior já se ter realizado diversas demolições, com a publicação do alvará que definiu a edificação da cidade de acordo com o plano estabelecido pela Casa do Risco. Das diversas opções de construção, o ministro do Rei selecionou a opção mais ousada, com a demolição de toda a zona da baixa e reconstrução da área entre o Rossio e o Paço da Ribeira.

Praça do Comércio
João Carvalho, Wikimedia Commons

Assim, esta nova zona da cidade previu estabelecer uma harmonia entre a largura das ruas e as dimensões dos edifícios, em que no alvará para a edificação também estava definida a forma e tipologia da nova praça.

A Praça do Comércio possui uma disposição geométrica perfeita, com uma planta regular de três alas opostas, dispostas em U (O., N. e E.) e com abertura a Sul sobre o Rio Tejo. Os edifícios em volta da Praça são constituídos por três pisos, em que no andar térreo é existente as arcadas com sobrelojas, e são finalizados por dois torreões em cada ala lateral. Esta arcaria e conjunto de edifícios são completados ao centro pelo Arco da Rua Augusta e que estabelece a abertura para a Rua Augusta. Ao centro da Praça está localizada a estátua equestre de D. José e junto ao rio o Cais das Colunas que mantém a tradição marítima deste local.

Praça do Comércio
Leandro Neumann Ciuffo, Wikimedia Commons

Esta Praça desde a sua conclusão tornou-se o espaço de classe de burguesia mercantil, ocupando importância como o centro da capital e de governo do país, sendo que atualmente ainda aqui se encontram diversos órgãos do Estado Português.

Dada a história desta localização, a Praça do Comércio encontra-se classificada como Monumento Nacional desde 1910 e está também incluída na classificação da Lisboa Pombalina.

Informação Geral

Morada: Praça do Comércio, Santa Maria Maior, Lisboa

Horário: 24h

Transporte: Autocarros 206,210, 706, 711, 728, 735, 746, 759, 774, 781, 782, 783, 794 (Carris) | Elétricos 15E, 25E (Carris) | Linha Azul – Estação do Terreiro do Paço (Metro) | Barcos Terminal do Terreiro do Paço (Transtejo Soflusa)

Mapa

Cronologia

→ Século XIV: Criação de aterros na zona do esteiro do Tejo, dada a construção das tercenas reais e da abertura da Rua Nova, em que também a muralha fernandina avança a cidade em direção ao rio
→ Século XV: Criação na Ribeira desde 1534 dos primeiros estabelecimentos relacionados com a expansão ultramarina, tais como a Casa de Ceuta, a Alfândega Nova, o Paço da Madeira, a Casa dos Escravos, etc.
→ Século XVI: D. Manuel dá ordem para novos aterros na zona da Ribeira, instala o Paço da Ribeira e suas dependências e manda construir um edifício para a Alfândega, sendo que dividiu a Ribeira em duas praças (Terreiro do Paço e Ribeira Velha)
→ Século XVII: Filipe II dá ordem para construir o Torreão de Terzi
→ Século XVIII, 1ª metade: D. João V investe na capela do Paço
→ 1755-11-01: Terramoto, maremoto e incêndio destroem o centro de Lisboa, e são afetadas todas as construções do Terreiro do Paço
→ 1756: Comerciantes de Lisboa entregam contribuição de 4% sobre as mercadorias importadas, com destino à reconstrução das alfândegas e da Bolsa
→ 1757: Realização de demolições em redor da alfândega e iniciadas obras no Arsenal da Marinha
→ 1758: Publicado o alvará da edificação da cidade e que define a forma e tipologia da nova praça
→ 1758-06-16: Autorizada a construção da Bolsa dos Comerciantes no local do antigo Terreiro do Paço
→ 1770: Construção da nova alfândega na ala E. e instalação da Bolsa de Comércio no piso térreo do torreão
→ 1775-06-06: Inauguração da estátua equestre de D. José I, sendo que na Praça do Comércio já estavam concluídos a Alfândega e a Bolsa, a Mesa do Desembargo do Paço e outros tribunais, a Real Biblioteca Pública, o Senado da Câmara, a Real Junta do Comércio, as Secretarias do Reino e a Casa da Suplicação
→ 1777: Demolição do Arco da Rua Augusta e do quarteirão anexo
→ 1779: Obras no “cais da praça”, na zona central da praça
→ 1797: Concluído o cais da praça, conhecido como Cais das Colunas
→ 1815: Colocadas as colunas do Arco da Rua Augusta
→ 1842: Conclusão do torreão ocidental da Praça do Comércio, pelo que apenas fica em falta a obra para concluir arco
→ 1857: Alargamento do Terreiro do Paço
→ 1860: Aterro que une a Praça do Comércio com a Duque da Terceira
→ 1873: Início da construção do arco da Rua Augusta
→ 1875: Conclusão da construção do arco da Rua Augusta
→ Século XX, final: Queda de uma das colunas do cais e outra é demolida por ameaçar ruína
→ 1903: Bergantim real do Rei Eduardo VII de Inglaterra atraca ao cais das colunas, de novo construídas
→ 1910-06-16: Classificação como Monumento Nacional
→ 1932: Inauguração da Estação Fluvial Sul e Sueste
→ 1940: Praça é pintada de verde
→ 1947: Criada a ligação da Avenida Marginal até ao Cais do Sodré e Praça do Comércio
→ 1957: Visita da Rainha Isabel II de Inglaterra, que chega ao Cais das Colunas, tendo sido efetuada uma inscrição epigráfica para comemorar a visita real
→ 1969: Acontecem alguns danos pela ocorrência de sismo
→ 1976: Praça é pintada de cor-de-rosa
→ 1994: Praça é pintada de amarelo
→ 1997: Retirado o estacionamento, colocado novo pavimento e início das obras do metropolitano de Lisboa

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